Emoção e alegria marcam chegada do Papa em Erbil

O Papa Francisco chegou cedo a Erbil, na manhã deste domingo, onde se deteve brevemente, antes de rumar para Mosul e Qaraqosh. Na parte da tarde, Francisco retorna à capital do Curdistão Iiraquiano para presidir a Santa Missa no Estádio Franso Hariri.

O domingo do Papa Francisco começou cedo no Iraque, com a transferência da Nunciatura Apostólica ao Aeroporto de Bagdá, às 6h20 da manhã. O primeiro destino? A cidade de Erbil, onde na chegada, o Pontífice foi recebido pelo arcebispo de Erbil dos caldeus, Dom Bashar Matti Warda, pelo arcebispo de Hadiab-Erbil dos sírios, Dom Nizar Semaan, pelo presidente e pelo primeiro-ministro da Região Autônoma do Curdistão Iraquiano, respectivamente Nechirvan Barzani e Masrour Barz, além de algumas autoridades religiosas e civis da Região Autônoma.

Na Sala VIP do aeroporto, o Papa manteve um breve encontro com o presidente e o primeiro ministro, acompanhados por dois colaboradores, e com os dois arcebispos. Logo após, embarcou para Mosul. Na sequência vai a Qaraqosh e na parte da tarde retorna a Erbil, para presidir a Celebração Eucarística no Estádio Franso Hariri.

A Região Autônoma do Curdistão Iraquiano, oficialmente reconhecida com a introdução da nova Constituição aprovada em 2005, localizada a nordeste de país, inclui as quatro governadorias de maioria curda de Dohuk (Dihok), Erbil (Hewlêr), Halabja (Helebce) e Sulaymaniyah (Silêmanî). Faz fronteira a leste com o Irã, ao norte com a Turquia e a oeste com a Síria. A capital do Vurdistão Iraquiano é Erbil.

Erbil, capital do Curdistão iraquiano

Conhecida como Hewlêr em curdo e Arbīl em árabe, construída em três círculos concêntricos, Erbil é a capital e maior cidade da região autônoma do Curdistão iraquiano, 88 km a leste de Mosul e pouco menos de 300 quilômetros da fronteira com a Síria. É considerada uma das cidades mais antigas do mundo, se não a mais antiga, cujo primeiro assentamento urbano remonta a pelo menos ao século XXIII a.C .

Muitos povos e conquistadores passaram por Erbil ao longo dos séculos, antes da conquista islâmica. Sumérios, assírios, babilônios, sassânidas, medos, romanos, abássidas e otomanos viveram no coração da cidade antiga, em sua Cidadela, localizada em um planalto de 30 metros onde, ao redor das muralhas, de desenvolveu o núcleo urbano. A Cidadela, declarada patrimônio da Humanidade pela UNESCO em 2014, cobre uma área de 110.000 metros quadrados.

Em seu interior, é possível admirar a Grande Mesquita e o Museu Têxtil Curdo, que abriga, por sua vez, o Museu da Civilização e o Museu do Patrimônio Siríaco. Locais de grande interesse na cidade, também são o Minarete Mudhafaria, conhecido como Choly e construído no século XII, parte restante da estrutura de uma antiga mesquita; a moderna Mesquita Jalil Khayat, que remonta a 2007, a maior da cidade; as galerias de arte Minaret Gallery e Shanidar Gallery; a Catedral caldeia de São José, em Ankawa, um dos maiores enclaves cristãos do Oriente Médio, cuja população é composta prevalentemente por cristãos assírios, quefalam neo-aramaico, ao norte de Erbil; e o mercado Qaysari do século XII, um dos maiores e mais antigos souks existentes. Também não faltam áreas verdes em Erbil, como o Parque Minare, o Parque Shanadar e o Parque Sami Abdulrahman.

A cidade, que deveria se tornar a Dubai do Iraque nos últimos anos, além dos refugiados sírios, acolheu em seus campos de refugiados cerca de 540.000 deslocados iraquianos, que vieram aqui do resto do país, principalmente de Qaraqosh e Mosul, para escapar do auto-proclamado Estado Islâmico.

Seminário Patriarcal de St. Peter

Ao retornar de Qaraqosh, e antes de presidir a Celebração Eucarísitca no Estádio Franso Hariri, o Papa Francisco almoça e repousa no Seminário Patriarcal de St. Peter, em Erbil.

O Seminário Patriarcal de São Pedro, localizado em Ankawa, é o único seminário atualmente em funcionamento no Iraque; dele procedem os sacerdotes caldeus de todas as dioceses do país e também da diáspora. Ao longo dos anos, mudou várias vezes de sede.

Suas origens remontam a 1859, quando o Mosteiro de São Jorge de Mosul (severamente danificado em 2015 pelos jihadistas do autoproclamado Estado Islâmico) foi escolhido como local de formação para sacerdotes caldeus. Foi oficialmente fundada em Mosul em 1866 pelo padre lazarista caldeu Raphael Petros Al Mazijia, a pedido do então Patriarca Joseph VI Audo, ciente da necessidade de dar uma formação adequada ao clero caldeu.

Em 1960, o Sínodo Patriarcal, guiado pelo Patriarca Paulo II Cheikho, decidiu transferi-lo para Bagdá. Em 2007, após o sequestro no ano anterior do reitor e do vice-reitor, no contexto da violência sectária que marcou o país após a segunda Guerra do Golfo, a sede foi transferida para a periferia de Erbil, no distrito de Ankawa. A escolha também foi determinada pelo aumento da população caldeia na região do Curdistão iraquiano a partir de 2000. Atualmente o seminário tem 14 membros. Entre eles, além de estudantes caldeus do Iraque e de outras partes do mundo, também outros seminaristas católicos de famílias vítimas do Estado Islâmico.

Arquieparquia de Erbil

A Arquieparquia de Erbil dos Caldeus, (rest. 7 de março de 1968), tem 16.000 católicos; 8 paróquias; 1 igreja; 13 sacerdotes diocesanos; 1 sacerdote regular diocesano; 5 diáconos permanentes; 4 seminaristas dos cursos filosóficos e teológicos; 1 membro de instituto religioso masculino; 52 membros de institutos religiosos femininos; 6 institutos de Educação; 3 instituições de beneficência; 266 batismos no ano passado.

O arquieparca de Erbil dos Caldeus é Dom Bashar Matti Warda, C.SS.R., nascido em Bagdá em 15 de junho de 1969; ordenado sacerdote em 8 de maio de 1993; eleito em 24 de maio 2010; consagrado em 3 de julho de 2010.

Eparquia de Adiabene dos Sírios (Hadiab), (28 de junho de 2019).

O arquieparca de Adiabene dei Siri é Dom Nathanael Nizar Wadih Semaan, nascido em Qaraqosh, Arquieparquia de Mosul dos Sírios, em 1 de janeiro de 1965; ordenado sacerdote em 1 de novembro de 1991; eleito coadjutor de Mosul dos Sírios em 27 de julho de 2018; consagrado em 7 de junho de 2019; transferido com o título pessoal de arcebispo em 28 de junho 2019.

Fonte: Vatican News

Deixe um comentário