Dons para a Igreja

Com a Missa vespertina da Ceia do Senhor, damos início ao Tríduo Pascal, cerne da Semana Santa. A Quinta-feira Santa recorda-nos a instituição do Sacerdócio e da Eucaristia, duas realidades intimamente conexas entre si.

Conforme Lucas, Jesus ardentemente desejou fazer aquela ceia com os seus apóstolos (cf. 22,15). Ela seria o grande dom que o Senhor haveria de fazer à Igreja antes de sua morte: Ele mesmo presente na Eucaristia. Na dinâmica do amor, o Senhor anseia dar-se a Si mesmo, para entrar em comunhão conosco.

A ceia é, assim, memorial da Páscoa do Senhor. Ele é o novo Cordeiro que se dá por inteiro para nos libertar da escravidão do pecado. A Eucaristia é o Corpo doado e o Sangue derramado de Jesus que liberta e gera vida. Somos vivificados e fortalecidos para vivermos no bem e no amor.

O dom que Jesus faz de Si na Eucaristia acontece numa ceia, numa refeição e indica, à luz da cultura judaica, o profundo desejo de comunhão de Jesus com cada pessoa. Ele parte, mas permanece em meio a nós, desejando ser um conosco. Na Eucaristia, vivemos um momento singular no qual Jesus é em nós e nós somos um com Ele.

Sendo a Eucaristia Corpo dado e Sangue derramado, somos convidados a viver também esse dinamismo em nossa vida. Somos chamados a “eucaristicizar” o nosso existir, sendo, por nossa vez, corpo doado e sangue derramado em prol do bem da humanidade.  Dito em modo mais simples, somos convidados a fazer-nos dom de nós mesmos.

O caminho do serviço é o modo concreto de operacionalizar esse dinamismo do Senhor. A Eucaristia leva-nos ao avental. Faz-nos endossá-lo e nos coloca no caminho da vida não acima dos outros, mas abaixo, lavando os seus pés, ou seja, servindo-os.

Na verdade, essa é a grande ideia que o Senhor nos transmite a respeito de Deus, do Messias: está no meio de nós, não sentado num trono, cheio de ostentação e de serviçais, mas como aquele que serve. O banquete eucarístico é sempre um convite a “tirar o salto alto”, ao abaixamento, a viver a alegria do dar e do servir aos irmãos.

A Eucaristia é fármaco, remédio que nos liberta da escravidão do egoísmo e nos fazer ter olhos e coração para os irmãos. É alimento que nos fortifica para nos libertar de nós mesmos, levando-nos a ter corações dilatados e mãos que se abrem.

Jesus, na Eucaristia, é o Pão partilhado, que quer saciar nossa sede de felicidade e de realização, mais também quer indicar-nos o caminho da partilha como estrada a ser percorrida a fim de superarmos o flagelo da fome, que ainda nesse século 21, assola tantos povos. A Eucaristia nos leve a dar o que somos e o que temos para que Deus seja glorificado, pois sua glória é o homem vivo plenamente.

Pe. Pedro Moraes Brito Júnior

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