A vida nova em Cristo

IMAGEM: Victor Freitas

O quinto domingo da quaresma apresenta-nos o tema da vida com a narrativa da reanimação de Lázaro por Jesus. Sob a ótica batismal, a liturgia convida-nos a compreender que pelo sacramento do batismo recebemos a vida nova de Deus. O Senhor é Aquele que nos dá a vida com o dom de sua vida.

Mas o texto evangélico apela-nos também a entender que o Senhor é o bom pastor que nos dá vida em abundância, a vida eterna. Ele se apresenta como a luz que dispersa as trevas da morte. Sem dúvida alguma, a morte é uma realidade enigmática que nos apavora e pode levar-nos a ver a vida como uma realidade sem sentido.

A reanimação de Lázaro é um sinal, o sétimo, contado pelo evangelista João para demonstrar-nos o que o Senhor pode fazer conosco diante da realidade da morte. O que aconteceu com Lázaro não foi propriamente a ressurreição, pois esta indica a nossa condição quando estivermos em Deus. Contudo, o que Jesus fez por ele, chamando-o, de novo, à vida temporal, aponta para a vida plena que Ele reserva para nós com o dom da ressurreição.

Jesus apresenta-se como uma pessoa extremamente solidária diante da realidade da morte. Chora com os seus a perda daquele que ama. É compassivo com todos nós que já vivenciamos a perda de alguém que estimávamos. A morte faz parte da nossa vida e dela não podemos escapar. Contudo, ela não é a última palavra de Deus para nós.

A vida de Jesus lançou luzes sobre a realidade sombria da morte. Esta agora não é a grande catástrofe, ou sinal de maldição em nossas vidas. É, sem dúvida, uma expressão da nossa condição frágil e finita e da presença do mal que nos rodeia. Porém, com a sua morte e ressurreição, Jesus vence a morte e, não nos dá o retorno à vida, como fez a Lázaro, que um dia morreu novamente. Com o dom da ressurreição, Ele nos dá a plenitude de vida, junto do Pai, que o nosso coração almeja. Não obstante sermos finitos, almejamos o infinito, buscamos a Deus e, por Ele, ansiamos.

Sendo assim, Jesus tirou a pedra sobre a realidade da morte. Esta não é mais o fim da existência e do nosso ser. Na verdade, com o Senhor, entendemos que se passa da vida para a vida tal como rezamos com Francisco de Assis: “é morrendo que se vive para a vida eterna”. Por conseguinte, como reza a Igreja, a vida não nos é tirada, mas transformada.

Com os santos, aprendemos a ter uma atitude diferente daquela que existe na cultura atual. Esta busca alongar sempre mais os anos de vida, promove tratamentos estéticos para que as pessoas se sintam sempre jovens e, sobretudo, silencia o discurso da morte. Com os bem-aventurados de Deus, não tememos a morte, mas vemos nela uma hora bendita porque possibilidade de aquietar o coração inquieto que anseia e busca o encontro com o seu Amado.

Pe. Pedro Moraes Brito Júnior

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