A face bela do amor: a compaixão

Como seres chamados a amar, nós nos aperfeiçoamos na medida que crescemos no amor. É nisto que consiste o itinerário de vida espiritual. Ou seja, o progresso na vida interior, ou vida de santidade é crescimento na caridade. Na verdade, a vivência do amor é o critério fundamental para realmente nos darmos conta que encontramos a Deus e somos d’Ele. São João diz-nos que, quem não ama não conhece a Deus (cf. 1Jo 4,8). Quando Deus entra na nossa vida, um dos primeiros sinais de Sua presença é o dilatar-se do nosso coração.

Contemplando o Amor que se fez carne, Jesus Cristo, queremos aprender d’Ele as lições do amor. A face mais bela do amor, manifestado no rosto de Cristo, é a compaixão. Nos evangelhos, encontramos Jesus que dirige Seu olhar às pessoas e as contempla com amor. É tão belo o relato do evangelista Marcos, que nos diz que o Senhor Jesus olhou, com amor, aquele jovem que fora ao Seu encontro, interpelando-O sobre o que devia fazer para alcançar a vida eterna (cf. Mc 10,17-22). É magnífico perceber, também, a grandeza do coração de Jesus que tem pena do povo que é como ovelhas sem pastor (cf. Mt 9,36) e não tem o que comer (cf. Mt 14,13-21).

Jesus vai onde a pessoa se encontra. Ele toca na ferida que atormenta o coração, solidariza-se com o outro, entendendo a sua dor e colocando-se no seu lugar. Trata-se de um amor que, em primeiro lugar, compreende o que se passa no coração da pessoa e, com ela, entra em comunhão. O coração de quem ama é o espaço onde o outro pode sorrir e chorar, falar dos seus sabores e dissabores, das suas alegrias e dores. O coração de Jesus é refúgio que nos abriga, dando-nos segurança e paz diante das tempestades da vida.

A compaixão de Jesus faz com que a dor do outro não seja simplesmente algo puramente exterior, que não atinge o seu ser. Pelo contrário, Jesus assume o sofrimento alheio, vivencia-o, procurando ser companheiro, no sentido literal da palavra: compartilhando no caminho, o bocado de sabor amargo, comendo, assim, o mesmo pão. Amar verdadeiramente é compartilhar a mesma sorte, trilhando juntamente o caminho da dor, para posteriormente palmilhar nas veredas da alegria.

Vivenciada de tal forma, a compaixão deixa de ser mero sentimento que não faz sair de si. Pelo contrário, ela se torna solidariedade, o nome concreto do amor. O coração que se deixar tocar e se une ao outro coração, entra em ação. Faz mover olhos, pernas e mãos para aliviar a dor, fazendo acontecer, na vida do outro, a brisa singela que suaviza os momentos de tormento. Proporciona calor para aquecer e acalentar as duras noites frias do viver que, por vezes, não se está preparado para enfrentar. Solidariedade que faz ecoar no coração a voz do Senhor que diz: “Coragem! Sou eu” (Mt 14,27). Ou aquela outra que dá segurança e consolo: “Eu estarei convosco” (Mt 28,20). Solidariedade que ajuda o outro a vencer e entender que o caminho com Deus não é um caminho de solidão. Ele partilha do bocado de nosso pão e convida-nos a degustar do banquete da alegria que quer nos oferecer.

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