Subamos o monte com Jesus!

O segundo Domingo da Quaresma é o da Transfiguração de Jesus. Ele toma consigo Pedro, Tiago e João e os leva a uma alta montanha e, diante deles, se transfigura. Essa manifestação de Jesus no Tabor quer, antes de mais nada, ser  um convite para contemplarmos a beleza do seu rosto e deixarma-nos ser envolvidos pela glória do Pai que nos conclama a abrir os ouvidos ao seu Filho.

Mas que um fato de crônica, o texto evangélico quer nos indicar o caminho que devemos fazer para trilhar a estrada de Jesus. A primeira coisa que nos diz é que devemos subir o monte com Jesus. Na Bíblia, a montanha é o lugar da experiência com Deus, onde podemos encontrá-Lo. Portanto, subir o monte é buscar deixar-se ser envolvido pelo pensamento de Deus.

A planície, nesse sentido, é símbolo da mentalidade corrente, mundana que pode reinar também no nosso modo de pensar. Somos chamados, como os apóstolos, a tomar uma decisão, descobrindo, na contemplação do rosto de Jesus, na experiência do seu amor, que o seu caminho de cruz é a estrada que nos faz verdadeiramente felizes.

O caminho da cruz é a estrada de uma vida doada, feita dom no serviço aos irmãos. Jesus quer, com sua transfiguração, ajudar os discípulos a entenderem que essa é a via de quem decide segui-Lo. Procura, assim, ajudá-los também a viver um caminho de transfiguração, marcado por uma busca de abandono da mentalidade mundana, marcada pelo sucesso e a satisfação de si próprio, para uma vida cujo epicentro é o amor aos irmãos na doação de si.

Moisés e Elias, que representam o Antigo Testamento, são chamados em causa como testemunhas desse caminho de vida proposto por Jesus. Mas, na verdade, é o próprio Deus que chancela a dinâmica de vida que Jesus nos indica, quando faz ouvir a sua voz, manifestando o seu amor pelo seu Filho e convidando os apóstolos a escutá-Lo.

Escutar Jesus significa aceitar o seu estilo e a sua estrada. É isto que o Pai nos pede: que reproduzamos, em nossa vida, a vida do seu Filho, que façamos o que Ele faz. Assim nos tornaremos filhos no Filho.

Os apóstolos com Jesus desceram a montanha. Pedro quis permanecer ainda lá, propondo a Jesus armar três tendas ali. Contudo, é preciso fazer valer a experiência de Deus em nossa vida, no cotidiano de nosso existir. Toda experiência espiritual autêntica leva-nos ao irmão, ao outro, procurando relacionar-se com ele com os sentimentos de Jesus.

Que o Senhor nos transfigure nessa Quaresma, transformando nossa maneira de pensar e, consequentemente, de agir. Que Ele nos ajude a perceber que a pessoa verdadeiramente realizada é aquela que ama.

Pe. Pedro Moraes Brito Júnior