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16-09-2017 00:36

A linguagem da Cruz

 

A festa da Exaltação da Santa Cruz faz-nos voltar o olhar e o coração para este santo lenho do qual pendeu a salvação do mundo, assim canta a liturgia. Nesta, a cruz ocupa um lugar especial. Não somente é obrigatória a sua colocação no ambiente litúrgico, bem como as nossas celebrações iniciam-se com este santo sinal que nos recorda o dom da nossa salvação merecida por Jesus Cristo.
 
A cruz é um dos sinais mais belos da fé cristã. Sua beleza provém naturalmente daquele que sobre ela permaneceu. Jesus lhe ofereceu um significado novo, transformando-a de sinal de maldição para sinal de bênção no qual o Pai é glorificado porque o demônio é derrotado, a morte é vencida e é dada à humanidade a possibilidade de um caminho novo.
 
Antes de falar propriamente de dor, a cruz no fala de amor. Que se dá sem limites, e para o qual não há fronteiras. Sua medida é não ter medidas. Ser seguidor do homem da cruz, abraça-la, não é ser amante da dor e do sofrimento, mas de um estilo de vida que se caracteriza pela busca da grandeza de alma e de coração que se exprime no amor.
 
Sim, a cruz é o caminho dos que entendem que o amor é a verdadeira fonte de felicidade e que só através dele podemos nos redimir, amando-nos por primeiro e redimir a humanidade, compartilhando o amor. Abraçar a cruz é, sobretudo, querer fazer da vida um dom de amor.
 
Os seguidores do Homem da cruz são pessoas que entendem que precisam abrir os braços do coração e a todos acolher sem distinção. A cruz é, assim, profundamente interpeladora: questiona nossos preconceitos, racismos, barrismos, nosso modo seletivo de viver, que por vezes marginaliza e faz olhar com indiferença o outro.
 
A cruz nos convida, de fato, a olhar para o alto e sair de um modo rasteiro de caminhar, que se caracteriza por viver “na média”, não indo além do necessário ou do exigido. A dinâmica do palmilhar na estrada da vida que a cruz nos indica é de uma busca constante de superação de si, não deixando nunca que o mal triunfe em nossos corações. Este nos vence quando dizemos não ao amor.
 
Podemos ser vítimas do mal que existe ao nosso redor e nosso coração ser ferido pelo veneno da maldade. Como os hebreus peregrinos do deserto, que voltaram o seu olhar para aquela cruz de bronze construída por Moisés, a mando do Senhor, queremos volver o nosso olhar sobre o lenho da cruz, suplicando de Jesus a cura e libertação do nosso coração chagado.

 

 
A cruz é apelo a viver o perdão, pois nela fomos reconciliados com Deus que nos perdoou em Cristo. Dar o perdão é não deixar o mal reinar sobre nós. É viver à luz da gratuidade, deixando o caminho sempre aberto para o recomeço. Fitando nosso olhar no Crucificado, queremos ser irradiados pelo o seu amor sem fim e encontrar a força para nunca fechar a porta do coração, negando o perdão a quem cruzar o nosso caminho. Viver no perdão é trilhar o caminho de quem abraça a cruz.

Pe. Pedro Júnior