Ascensão do Senhor

A Solenidade da Ascensão do Senhor apresenta-nos um denso significado para o caminhar de nossa vida, que é assinalado por uma dimensão temporal e histórica, mas que se orienta para além da história, para a eternidade. A ascensão fala, assim, do nosso viver imanente e transcendente.

No que diz respeito à dimensão imanente, histórica, essa solenidade é um convite a que a Igreja seja a continuadora da missão de Jesus. Pontualiza que é chegado o tempo da Igreja, devendo esta fazer as vezes do Cristo. O início do livro dos Atos dos Apóstolos deixa bem claro esse aspecto que também já aparece no final do evangelho de Mateus.

A Igreja é chamada a ser testemunha, é convidada, ou melhor dizendo, é enviada em missão devendo sair de Jerusalém e ir mundo a fora anunciando a boa nova de Jesus. Mas em que consiste o evangelho do Senhor? Em compreender e viver a própria existência como dom de si como a viveu o próprio Jesus.

Trata-se, sobretudo, de ser testemunha do amor, que na sua expressão mais alta é tornar-se, como Jesus, grão de trigo que morre para gerar vida. A adesão a esse estilo e projeto de vida exige a conversão. Os apóstolos fizeram esse caminho iluminados pela Palavra, que os fez perceber que era preciso que o Cristo passasse pela cruz para chegar à glória.

Esse viver para é o centro da missão da Igreja, discípula missionária, que convida outros a trilharem o caminho de discipulado a Jesus. Sua tarefa é fazer discípulos que entendam, à luz do Mestre, que somos chamados a fazer dom de nós mesmos no serviço aos irmãos. Ser e fazer discípulos é modo como a comunidade cristã deve atuar a missão, convidando a imergir (batismo  no amor da Trindade e ensinando, sobretudo pelo testemunho, tudo quanto Jesus realizou.

O Senhor estará conosco, sobretudo através da efusão do Espirito, cuja festa celebraremos na próxima semana. É Ele que vivifica a Igreja e a torna capaz de ser testemunha de Cristo, da sua vida e do seu estilo de viver no mundo.

Jesus sobe aos céus, mas não se distancia de nós. Torna-se presente através do seu Espirito e se torna uma presença nova e mais ampla. É essa certeza que anima a Igreja a caminhar e a faz anunciar a alegria do evangelho e anunciá-lo com alegria. Cristo, além de estar vivo e presente em meio a nós, reina. A sua ascensão é o enaltecimento d’Aquele que foi humilhado morrendo na cruz. O seu reinado indica que a nossa história, apesar dos seus reveses, não está à mercê. Ele é o Senhor da história.

Subindo aos céus e levando Consigo a nossa natureza carnal, Ele aponta-nos a meta do caminho da nossa vida: viver plenamente e eternamente em Deus. A Solenidade da Ascensão é, assim, a festa da esperança, da vida totalmente realizada, porque esse é o desígnio de Deus para todos nós: vida em abundância, vida plena!

Pe. Pedro Moraes Brito Júnior
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