Administrar na lógica de Deus

No início do livro do Genesis, é logo narrada a criação do mundo e do homem. Deus cria todas as coisas e confia ao homem o seu cuidado. Tudo pertence a Deus. O homem é chamado, neste mundo, a bem administrar esses bens que lhe foram confiados.

A parábola do vigésimo quinto Domingo do Tempo Comum, ano c, de novo, reitera essa ideia, indicando, porém, o caminho que o homem deve trilhar quando, por vezes, ele mau administra o que lhe foi assegurado por Deus.

Trata-se de um texto de difícil interpretação que, inicialmente, pode levar a equívocos. Encontramo-nos diante de um empregado que é reprovado pela sua má administração. O patrão decide licenciá-lo e ele toma algumas iniciativas. Diminui a quantidade do débito dos devedores. Tal atitude do administrador não se constitui num furto. Na verdade, ele abre mão da sua comissão. É nesse sentido que Jesus elogia a sua sabedoria. 

O seu agir sábio consistiu no fato de que, mais do que acumular, ele procurou fazer amigos, entendendo que, na sua situação, o mais importante era isso. A parábola é um grande questionamento sobre o nosso relacionamento com as coisas e, sobretudo, com o dinheiro. Podemos viver de um modo egoísta, pensando somente em acumular e, nesse sentido, podemos chegar até a utilizar modos ilícitos para o enriquecimento pessoal. O profeta Amós na primeira leitura denuncia a riqueza fruto da exploração do pobre. Há quem enriqueça desse modo.

Assim sendo, o dinheiro torna-se um fruto da iniquidade. Na verdade, a visão de Jesus sobre ele é de que na sua conquista há sempre alguma desonestidade. Essa desonestidade pode se dar também quando, mesmo adquirindo-o licitamente, podemos nos relacionar com ele de forma fechada e egoísta. A expressão de Jesus que manda utilizar o dinheiro injusto para fazer amigos não significa que Ele torne lícito o uso do dinheiro sujo. Como dissemos, a visão de Jesus sobre o dinheiro é de que, quase por natureza ele é injusto.

É preciso ter presente que, ao comparecermos diante de Deus, não levaremos nada conosco, mas sim o bem que fizemos. Este depende do uso que fazemos das coisas e do próprio dinheiro. O cerne da parábola consiste em dizer-nos que devemos nos relacionar com as coisas e o dinheiro para fazer amigos. Dito em outras palavras, devemos buscar amar, expressando esse amor com um modo de vida solidário e na partilha. 

É nesse sentido que o evangelho termina convidando a tomar uma decisão: servir a Deus ou ao dinheiro. Em outras palavras, isso significa: viver o próprio existir do jeito do próprio Deus que fez dom de suas coisas e de Si mesmo para nós, ou viver na lógica do dinheiro que nos fecha em nós mesmos e torna-nos cegos para com os irmãos. Eis a decisão que nos cabe tomar e que decidirá a nossa sorte no mundo futuro.

Pe. Pedro Moraes Brito Júnior

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