A alegria de viver na luz

olhos

O quarto domingo da quaresma é considerado domingo da alegria, pois a Páscoa torna-se mais próxima. Estamos, mais próximos de celebrar Aquele que é a nossa esperança, a nossa alegria: Jesus Ressuscitado. É n’Ele que encontramos forças para continuar caminhando e vencendo as dificuldades da vida.

Mas a alegria que o Ressuscitado nos concede é a de ver, a de ser iluminados, ou melhor, tornar-se luz no Senhor. O evangelho desse domingo destaca esse aspecto com a narrativa da cura do cego por Jesus. Na verdade, o objetivo do evangelista é contar a história do discípulo que vem curado e habilitado para seguir o Senhor.

Tendo presente a perspectiva batismal da quaresma, descobrimos elementos que querem nos indicar o significado mais profundo do batismo. Aqui, aparece o tema da luz. O cego é alguém que vive nas trevas, o seu mundo é todo escuridão. O encontro com Jesus permite-lhe sair da noite e vir para o dia. Ser batizado é deixar as trevas do pecado para viver na luz da graça, do bem, da verdade e do amor.

O batismo é um novo nascimento. De fato, o texto evoca o ato criador de Deus, quando relata o gesto de Jesus que faz lama da terra com a sua saliva e a coloca sobre os olhos dos cego que, em seguida, vai lavar-se na piscina de Siloé que evoca a pia batismal, o batistério.Com o batismo, nascemos de novo, tornamo-nos novas criaturas, nascidas da água e do Espírito.

O gesto batismal, contudo, deve ser precedido de uma confissão de fé que
podemos encontrar na narração. Aquele que se prepara para batizar, ou quem já é batizado devem fazer um caminho de conhecimento e adesão a Cristo. É alguém que é convidado a ver, a enxergar Jesus como Senhor de sua vida. É interessante perceber o progredir das respostas do cego que, inicialmente, começa falando do gesto que Jesus lhe fizera, posteriormente afirma que é um profeta e, por fim, diante de Jesus que se lhe revela, confessa: “Eu creio, Senhor!” E, em seguida, prostra-se diante de Jesus.

O cego não somente vê as coisas que estão ao seu redor, mais também contempla-as de modo diverso. A cura de Jesus consiste também nesse aspecto: agora ele enxerga o mundo e as coisas diferentemente. Torna-se uma pessoa iluminada, distinta das outras. O texto faz referência a esse aspecto ao destacar que as pessoas já não o conheciam bem. Aquele que se encontra com Luz, muda de vida, transforma-se, fica diferente.

Como diz o ditado popular: “o pior cego é aquele que não quer ver”. Ver melhor a si próprio, as coisas, as pessoas e Deus. Na quaresma, somos chamados a despertar do sono, e abrir os nossos olhos para encontrar o Senhor. Trata-se de fazer jus ao que somos: filhos da luz e, como tais, somos chamados a produzir os frutos da luz: bondade, justiça e verdade, como nos exorta o apóstolo Paulo.

Queremos caminhar na luz, conscientes de que o Senhor é o bom pastor que nos orienta e conduz, bem como nos protege e nos livra de todo mal. Com Ele não tememos mal algum e buscamos ser, no mundo, testemunhas de sua luz.

Pe. Pedro Moraes Brito Júnior.